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Jornal Valor Econômico destaca projeto Economia da Experiência

 
    Valor Econômico - SP   

Pequenas empresas

   

Turismo de experiência oferece interação

   

Na região amazônica, visitante se hospeda com locais, pesca, passeia de canoa e até aprende a tecer

   

Jacilio Saraiva

   

Pequenas e médias agências de viagens estão montando pacotes para  explorar um novo nicho do setor: o turismo de experiência. O objetivo é  fazer com que o cliente interaja mais com o destino escolhido durante a  viagem e vivencie o dia a dia das cidades visitadas, o lazer e a  culinária local. As ações incluem hospedagem na casa de moradores de  comunidades da região amazônica, passeios em cidades históricas do Rio  de Janeiro e degustação de vinhos de produção regional, no sul do país.  Empresas de Belém (PA), Bento Gonçalves (RS) e Petrópolis (RJ) já  aderiram à ideia. O Ministério do Turismo e o Serviço Brasileiro de  Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estimulam as iniciativas.
     
      "Experiências observadas em outras regiões mostram que o resultado  dessas ações foi uma nova dinâmica de desenvolvimento do turismo",  explica Socorro Graça, da agência Vitória Régia, de Belém, que acaba de  montar dois pacotes de turismo de experiência. "As iniciativas fazem  com que os atores locais da cadeia produtiva inovem e incrementem as  ofertas turísticas."
     
     
      Também em Belém (PA), a Estação Gabiraba, com quatro funcionários,  promove roteiros de ecoturismo em comunidades no norte do país. "É um  modelo alternativo que gera renda para iniciativas sociais de base  comunitária", explica a diretora da agência, Ana Gabriela Fontoura.  Nesse contexto, o turismo é planejado e desenvolvido com a população  das cidades. "São os habitantes do lugar que decidem como os visitantes  vão vivenciar o dia a dia do local."
     
      A empresa oferece roteiros no Pará e no Amazonas, conforme o interesse  do turista. Os destinos mais procurados são Curuçá, Santarém, a região  do baixo Amazonas, Manaus e a bacia do Rio Negro. Os preços variam de  acordo com a duração da viagem, número de participantes e serviços  inclusos. Em média, um roteiro de um dia - com alimentação, transporte,  acompanhante bilíngue e atividades de ecoturismo - custa R$ 130 por  pessoa. Já uma viagem de barco durante 12 dias, com hospedagem, pode  custar R$ 2,5 mil. Os visitantes fazem atividades como tecer palhas  nativas, pescar e remar em canoas, além de trabalhar em casas de  farinha e dormir em redes.
     
      Em Petrópolis (RJ), a proposta da Imperial Tour é montar viagens que  remetam à época do Brasil Império. A cidade fluminense é conhecida por  abrigar o antigo Palácio Imperial, uma das residências de D. Pedro II,  construída em 1864. "Há atrações como a trilha do imperador e  cavalgadas durante noites de lua cheia", explica Evany Carvalho,  diretora da agência, que atende 2,5 mil clientes por ano.
     
      A empresa existe há quatro anos e tem dois funcionários diretos, além  de 25 terceirizados. Além do turismo de experiência, que deve ser  iniciado em 2010, faz ações de receptivo em Petrópolis, na região  serrana fluminense e pacotes para a terceira idade. "O turismo de  experiência não é uma operação de massa, tem de ser personalizado." A  meta de Evany é atender 200 clientes, com a nova modalidade, no  primeiro semestre de 2010. A divulgação dos destinos já foi iniciada.  "Os produtos incluem visitas à Mata Atlântica e à Estrada Real e  permeiam a história do Império e da personalidade de D. Pedro II, um  imperador interessado na preservação do meio ambiente."
     
      Em Belém, a Vitória Régia Turismo, criada no ano passado, está com dois  pacotes de experiência prontos para serem vendidos. O Belém de Todos os  Sentidos oferece ao visitante interação com a história e os costumes da  capital paraense, enquanto o Belém, Bonita por Natureza inclui passeios  pela floresta, rios e igarapés. Custam de R$ 900 a R$ 1,2 mil.
     
      Segundo Socorro Graça, da direção da empresa, cerca de 50% dos pacotes  oferecidos no Pará têm duração inferior a quatro horas, o que atrapalha  o rendimento dos hotéis com pernoites. A intenção é que o turismo de  experiência mude esse quadro.
     
     
     
      Assim como a Imperial Tour e a Vitória Régia, a Giordani Turismo, em  Bento Gonçalves, participa do projeto Tour da Experiência, uma  iniciativa desenvolvida pelo Ministério do Turismo, em parceria com o  Sebrae e o Instituto Marca Brasil (IMB). O objetivo é estimular as  atividades turísticas com experiências de viagem diferenciadas. O  programa também está sendo implantado em Bonito (MS) e na região  conhecida como Costa do Descobrimento, no litoral sul da Bahia.
     
      "O trabalho vai beneficiar toda a região e ainda ajudaremos pequenos  proprietários rurais", explica Mara Pasquali, coordenadora de marketing  da Giordani, que montou dois roteiros com o novo conceito. "Bento  Gonçalves é conhecida por ser a capital brasileira da uva e do vinho."
     
      Há passeios feitos em um ônibus antigo, de 1961, para o projeto  Associação Caminhos de Pedra e para as cidades históricas de Santa  Tereza e Monte Belo do Sul. A Caminhos de Pedra pretende resgatar os  hábitos culturais que os imigrantes italianos deixaram na serra gaúcha  a partir de 1875. O projeto conta com cerca de 60 associados e recebe  50 mil turistas por ano. O roteiro está em expansão e inclui 13 pontos  de visitação.
     
      A agência oferece ainda um passeio no trem maria fumaça, da estação de  Bento Gonçalves à plataforma de Carlos Barbosa. A locomotiva a vapor do  século XIX faz um percurso de 23 quilômetros, com direito a coral  italiano, tarantela e degustação de vinho durante a viagem.
     
      A Giodani Turismo, com 59 funcionários, também desenvolve ações para  reduzir o impacto das atividades turísticas no meio ambiente. Aproveita  a água da chuva para o uso na locomotiva, utiliza madeira de  reflorestamento em substituição ao carvão mineral e planta mudas de  árvores na via férrea.

 


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